Keigiro Ueno
Redator Competence Porto Alegre
Marcelo Tas, Gustavo Cury e Marcelo Tripoli
Numa platéia de cerca de 200 pessoas, 50% dos presentes estava com seus laptops abertos, conectados ao wi-fi, repassando informações em real time para o resto do mundo via Twitter. Eu também estava lá no 3º Encontro de Blogueiros Publicitários, mas preferi adotar o velho notebook (em bom português, caderninho de anotações).
Entre os palestrantes estavam o jornalista Marcelo Tas (CQC), Raphael Vasconcellos (Diretor da Agência Click), Marcelo TrÃpoli (iThink), André Matarazzo (Gringo), Marcelo Magalhães (VP Planejamento da Ogilvy Brasil), Carlos Merigo (Brainstorm 9), Rafael Ziggy (Sim,Viral), entre outros.
Num encontro de blogueiros, talvez o assunto menos discutido tenha sido blogs. O que foi ótimo. Falou-se muito em inovação, em integração, convergência, novas plataformas, novos rumos.
Para quem ainda não acredita na força da web, Marcelo Tas lançou este dado impressionante: o volume de informação que circula somente no Google diariamente é de 20 Petabytes. Este número com infinitos zeros significa cerca de 3 Megabytes por habitante do planeta.
Ou seja, não somos mais apenas pessoas. Não somos apenas consumidores. Somos links. Cada pessoa é link de alguma coisa, de alguma opinião sobre determinada marca, fato ou produto. Blogs, redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut são potencializadores das nossas opiniões.
Num mundo onde o comportamento do consumo é validado pelo coletivo, vale até gastar 999 dólares num produto como o I am Rich. Um aplicativo para ipod que serve para… mostrar que você é rico (nada mais é do que um screensaver).
O I am Rich foi comprado por 8 pessoas na Apple Store
Já Marcelo Tripoli, da agência digital iThink, fez uma breve palestra sobre mÃdias digitais em Cannes 2009, destacando a frase/conceito utilizada pela PriceWaterhouseCoopers durante o festival: “Slow economy, faster digital migration.â€
Ou seja, a crise está nos forçando a reaprender o jeito de fazer propaganda. Afinal, o digital está deixando (se é que já não deixou) de ser uma disciplina, uma categoria. O digital está presente na big idea. Prova disso é o comercial “Carousel†da Philips, Grand Prix em filme. Um filme que tem o uso da tecnologia como parte da ideia.
Filme “Carousel†para Phillips, Grand Prix em Cannes
É importante lembrar que em nenhum momento se decretou a morte das mÃdias convencionais. Muito menos se supervalorizou a produção de virais de baixo custo. Talvez a principal mudança daqui para frente seja em relação à proporção dos investimentos. Até hoje, as campanhas eram offline driven / online supported. Isto é, o filme e o anúncio eram desdobrados em hotsite e banners.
A partir de agora, a tendência é criarmos campanhas online driven / offline supported. Ou seja, uma big idea envolvendo alguma plataforma digital, baseada no engajamento digital (redes sociais) e, por fim, com uma campanha em mÃdias convencionais buscando a atração de tráfego.
Ainda sobre Cannes, está cada vez mais evidente que tudo é uma coisa só. Algumas campanhas são difÃceis de serem categorizadas. Uma campanha da categoria integrated pode ao mesmo tempo ser titanium. Um filme, por sua vez, pode ser apenas uma parte, uma isca para gerar acessos ao site de uma grande campanha integrated.
Com tantas opções de canais para trabalharmos e atingirmos o consumidor, não faz mais sentido pensarmos isoladamente num anúncio. A tecnologia, a web e o lado esquerdo do cérebro terão que estar inseridas ao nosso meio. Mais do que nunca, chegou a hora de formar equipes de multidisciplinares. E, ao que tudo indica, os nerds serão os primeiros convidados.