TIAGO FERRARI, redator da COMPETENCE e eleito o Criativo do Ano pela equipe da agência, marcou presença neste CANNES/2010. Com EXCLUSIVIDADE para o Portal Making Of, detalhou o que viu por lá, apontando tendências e o que o mundo globalizado desenha para o futuro do setor.
Gente, cheguei de noite aqui , na terça-feira .E na quarta o dia valeu.
Primeiro Dia
Fui a duas palestras e um workshop.
A primeira palestra foi da go viral , uma beleza, falando de vídeo no youtube.
O que se falou foi da evolução dos vídeos publicitários e como agora o cliche do viral é antigo.
O que está acontecendo é a união de conteúdo com entretenimento para a construção da marca.
O case do google speed test. - vejam, please - é um grande exemplo. E vale dizer: alguns vídeos tem cerca de 15 min são documentários, curtas, etc… comparem com tv…..
A segunda palestra foi fraca - sobre inspiração. Esperava mais, foi um feijão com arroz.
O workshop sobre criação em rádio foi demais. Inteligente, construtivo. E ainda anteciparam tendências como o som em 3d (informação quente).
Fora isso tudo, tem o papo das categorias como promo - direct - e media que estão dando um showzaço. O papo aqui é conteúdo - só se fala disso - a publicidade que andava meio perdida, começa a ter um papel social notável.
Segundo Dia
Tem muita coisa, mas vou tentar ser breve.
Peguei três palestras.
A primeira, networkone foi maravilhosa.
Falaram sobre como as agências emergentes estão se posicionando.
Uma verdadeira aula:
Uma das agências tem na equipe um arquiteto e um designer industrial.
Eles oferecem muito mais que propaganda convencional para o cliente:
Criam produtos, alteram a decoração das lojas. Ou seja, a propaganda assumindo outras áreas para sobreviver/crescer.
Aliás, quero falar sobre isso:
Há alguns anos, a propaganda se via pequena diante de novas ferramentas, principalmente redes sociais na net. É incrível sentir como esse problema foi driblado. A propaganda está pavorosamente poderosa. É sério.
Através de boas idéias,está interferindo socialmente e todo mundo está ganhando com isso.
Para dar um exemplo: através de uma campanha publicitária, o Paquistão e a Índia fizeram as pazes. Olhando esse case eu quase chorei pela primeira vez no dia.
A segunda vez foi na palestra publicis and contagius.
o case “replay” , que fala sobre fazer novamente a final
do campeonato de futebol americano de 93, é lindo.
Os cases todos eram lindos.
Eles falaram sobre a importância de, neste momento, colorir o conceito da marca.
Isso, colorir o conceito da marca foi a expressão usada.
Um dos conselhos dados por eles foi:
Seja bom. Bom, no sentido de bondoso. Pensar como a marca pode ser boa para o consumidor. Como pode fazer as pessoas felizes. Gostei muito disso.
A terceira palestra foi uma piada: yahoo com ben stiller. Muitas gargalhadas.
No fim do dia, olhei todo o shortlist de direct, promo e activate. Essas categorías estão tomando conta do festival.
Para pensar
Em TODAS as palestras não houve sequer um exemplo de filme, anúncio ou cartaz.
As big idéias estão em outros lugares. Estão, basicamente, naquilo em que o público, de alguma forma, pode participar .
Falar sobre o futuro da propaganda, além de soar como clichê, é pura achometria.Mas se tratando de google, ok. Eeles fizeram boas previsões, tipo:
As plataformas vão convergir. Sabem o papo de off line e on line?
Esqueçam.
Tudo vai ser on line. A televisão e o twitter, por exemplo, vão estar na mesma plataforma.
Enquanto você assiste um jogo de futebol, pode ir comentando com outras pessoas.
Outra coisa: rádios tv aberta.
A programação será personalizada, ou para redes sociais específicas. Isso quer dizer que a propaganda também falará diretamente com seu público. Uma propaganda que será mutável.
Por exemplo:
Se esfriar, o sujeito recebe ofertas de casacos. Se esquentar, recebe ofertas de camisetas. São propagandas diferentes de uma mesma loja. Acho, realmente, que tudo isso vai acontecer. E naturalmente.
A segunda palestra, R/GA - reimagine, redesign, rearchitect - foi show.
Eles falaram sobre contextos. O que a marca oferece, além do produto. Mais uma vez, o papo é efetivamente ajudar o consumidor, no dia a dia. A Nike, por exemplo, não oferece apenas um tênis. Oferece, de graça, um programa para a pessoa acompanhar a evolução do treino de corrida.
já a Motorola instalou painéis interativos de localização em diversas cidades.
A terceira palestra, Leo Burnett, foi a melhor. Falaram sobre transformar conceitos em ações. O case da Fiat mostra isso. O povo não quer bla bla bla, quer sentir, participar e, claro, ser mimado.
Overdose de Comunicação
Participei de cinco seminários e vi o o shortlist de Press, Design e PR.
Design está ok, PR está ok, Press não está ok.
Quantidade absurda de fantasmas, Fantasmas nem sempre bons. A categoria parece meio perdida.
Chamou mais a atenção pelos barracos internos. O que não aconteceu em outdoor, por exemplo.
A categoria mandou muito bem. Idéias boas e, principalmente, idéias reais:
dois bons exemplos já viraram clássicos - o football match x classical concert da Heineken
e a ação com 13000 pessoas cantando juntas no karaoke da t mobile.
Vou ser breve sobre as palestras:
A da Adobe foi previsível. O que mais chamou a atenção é a forma como está rolando o retargeting.
O cruzamento de dados é tão incrível que, ao entrar num site pra comprar um relógio a programação consegue definir, através de dados, se é pro sujeito mesmo ou pra presentear sua adorável esposa.
Parece papo, mas é real.
Palestra 2
Pricewaterhousecoopers. Nome grande, palestra pequena. Mas um dado chamou a atenção:
A mídia tv, até 2014, vai crescer. Um pouquinho, mas vai. Faz sentido. O que está acabando é a plataforma, o televisor.
Vejam: muita gente assiste a copa do mundo no seu computador. Mas continua sendo a globo ali transmitindo as imagens.
A palestra sobre música foi fraca. Só um bate papo entre especialistas. Já as duas últimas, bem,
foram sensacionais. Impressionou a todos. Dentsu, falando sobre a comunicação em Tóquio.
depois, Uniqlo. Os japas tão mandando muito, muito bem. Eles estão fazendo o que, agora, o mundo está descobrindo que vale a pena. É a união da tecnologia e do analógico. Do globalizado e do personalizado.
Vejam esses exemplos:
O case Ibuterfly. O case da cantora virtual Miku,O case do Crimsonfox. E o case da Uniqlo, que todo mundo está comentando. Esses cases são síntese de tudo o que tem se falado aqui. Principalmente porque, ufa, a comunicação está tratando as pessoas como pessoas.
É Hora de Deixar Todo Mundo Feliz
O dia mais aguardado de Cannes. Além de ótimos seminários, passou todo o short list de film, film craft, titanium e integratet. Optei pela segunda opção. Fiquei horas sentado numa cadeira. Gostei. Melhor do que no ano passado. Parece que a retomada na economia mundial influenciou.
Mas vamos falar de propaganda:
Na categoria film o que reinou foi o humor. Humor nonsense, humor bom, humor ruim e humor sutil.
Uma proporção absurdamente relevante: cerca de 90% parece que a idéia é transformar os intervalos de TV em puro entretenimento. Afinal, todo mundo gosta de rir. Um exemplo: Heineken.
A emoção ficou por conta da nova categoria: film craft.
Uma categoria que premiou as produções com um olhar crítico na produção.
O curta da Absolut, I am here - www.imheremovie.com - com direção de Spike Jonze, é lindo. Propaganda inteligente. Vejam como o papo de álcool aparece sutilmente nas cenas, em festas, encontro de amigos, etc… mas, importante:
Grandes idéias não precisam ser revolucionárias, nem datadas. Esse filme da Axe: seria bom há 30 anos, como será nos próximos 100.
O novo não sobrepõe o bom.
Sobre produção:
A direção de arte e a direção de cine não estão aqui, agora. Quero dizer, são baseados nos anos 60 e 70, ou então apresentam uma estética vanguardista. Também apareceram muitas referências de documentário e cinema europeu, indiano e árabe.
Sobre roteiro:
Várias experiências: contagem sem contexto ou sem cronologia. Acho natural. Em meio a tantas histórias lineares, o diferente chama a atenção.
Sobre discurso:
Mais uma vez, a propaganda estimula as pessoas a serem mais originais. Assim como o be a stupid da Diesel, que já falei aqui. Vejam isso:emocionante, saindo do lugar-comum.
Mas, o que é novo mesmo é ver filmes pensados como ações amplas. Vejam esse vídeo: são hooligans cantando uma música romântica para convencer as namoradas a deixarem os sujeitos assistirem futebol.
É filme. É no mídia. É internet. É supersimpático. Os rapazes efetivamente enviaram para suas namoradas.Bombou. Isso é o espírito de Cannes esse ano.
Pra fechar o dia, fui na máquina da SapientNitro, que dava um sorvete para quem sorria.
É isso aí. As marcas, a propaganda e até as máquinas de sorvete querem ver todo mundo feliz.