Como integrar cooperativas usando uma marca única
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20.05.2010 por NotÃcias
Por João Satt Filho*
A primeira pergunta que se coloca é: por que este assunto – integração de cooperativas usando uma marca única - está sendo discutido neste momento? A resposta é simples e óbvia: o mercado mudou. Esta mudança vem da repentina concentração das duas pontas: indústria de alimentos e varejo. A cada semana somos surpreendidos com novos fatos tanto na indústria (em especial do segmento de leite), quanto no varejo, seja através de fusões, associações ou aquisições. Obviamente que estas mudanças atingem a todos os cooperados/associados, assim como as cooperativas. Você, dirigente, produtor, associado, já parou 30 segundos para avaliar o que isto está gerando e ainda vai gerar como reflexo nas cooperativas de alimentos?
Se até então poucas marcas de cooperativas de alimentos conseguiam algum destaque em nÃvel nacional (porque a maioria tem relevância em mercados regionais), agora, mais do que nunca serão prejudicadas pelo poder da produção, comercialização, marketing e distribuição das megaindústrias de alimentos. As marcas de cooperativas de alimentos tendem a ser esmagadas pelo poder da comunicação e relação das marcas destas megapotências industriais junto ao consumidor e aos canais de distribuição. Espero estar errado, mas ainda acredito que Sun Tsu (A arte da guerra) estava certo ao preconizar que “a melhor maneira de ter a paz é estar preparado para a guerraâ€. Encarar a verdade é duro e dói, mas é a única maneira de vencer. Pela gravidade e capacidade de desestabilização destas associações, fusões e aquisições e o respectivo impacto na vida de todos, é por si suficiente para que o tema entre na agenda dos associados e das direções das suas cooperativas.
É hora de defender interesses comuns e mais uma vez encontrar juntos uma nova e saudável solução para todos. Pensar pequeno é cada um pensar por si. Pensar pequeno é considerar a possibilidade de abandonar o projeto da cooperação. Todos estarão mudando da confortável posição de dono para a de ser mais um fornecedor. O cooperado que optar por fornecer para a indústria não terá mais um nome e o reconhecimento do grupo, e sim, será mais um número numa enorme lista de fornecedores. A diferença só será percebida de forma nua e crua quando houver algum percalço na produção, naquele instante o ex-associado terá a completa noção de que era feliz ao ser associado e não sabia.
Pensar grande é encontrar uma solução para todos, mantendo a união, a cooperação. Por trás de um problema sempre tem um diamante, o inÃcio de um novo ciclo, uma oportunidade de sairmos mais fortes e competitivos. Pensando desta maneira, as cooperativas de crédito criaram o SISTEMA SICREDI, hoje, uma das grandes potências no setor financeiro brasileiro, reunindo mais de 1,5 milhão de associados. Esta foi uma boa escolha, associados de várias cooperativas, cooperando entre si, ou seja, criando um sistema maior, uma constelação de estrelas. Não é preciso inventar, a solução é a mesma que já serviu no passado para fazer com que todos chegassem até aqui. Se você perceber a escolha das cooperativas de crédito, foi simples: perpetuar o modelo societário, ou seja, se manter cooperativa.
A criação de uma marca única para as cooperativas de alimento, assim como fez o SICREDI no mercado financeiro, poderá significar a solução para as cooperativas de alimentos. Sem dúvida isto exigirá uma profunda análise, planejamento e visão dos ganhos de andar juntos do que se manter sozinhos. O desafio é buscar a cooperação num escopo maior: construindo a cooperação entre cooperativas. A consciência que os produtores tiveram, no passado, de que era necessário se unir, aceitando o diálogo como condição fundamental para buscar juntos o melhor caminho, deve ser construÃda novamente, contudo, num nÃvel maior, somando: Cooperativa A+, Cooperativa B+, Cooperativa C e assim sucessivamente. A soma da produção, especialização, qualidade, logÃstica, comercialização, relacionamento com as redes de varejo e capacidade de investimento em marketing gerará um efeito indestrutÃvel, assegurando uma tranquilidade não só de curto, mas de médio e longo prazo. Com certeza um projeto desta envergadura exigirá muita tolerância e negociações, no entanto, os eventuais desconfortos serão muito menores do que aqueles enfrentados por cada cooperativa isoladamente. Um Sistema de Cooperativas de Alimentos, no dia seguinte a sua consolidação, já será uma das maiores potências nacionais, seja o setor que for, trazendo aos seus milhares de associados à s vantagens de “ser grande†sem que cada um deixe de ser dono. É hora de ser: cooperativa, grande, relevante e mais do que nunca “ser dono do seu destinoâ€.
* artigo publicado no jornal O Interior, publicação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul (SESCOOP/RS), em abril de 2010.

